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Mensagem: COLINA DE DONA GERMANA (IGREJA DOS MORRINHOS) Há algum tempo, a Copasa elaborou o projeto de uma pracinha em frente à Estação de Tratamento de Água (ETA), situada na Ladeira Cônego Quirino, onde se encontra a Cidade das Emissoras de Rádio (98 FM, Jovem Pan e São Francisco). O projeto do espaço paisagístico visava moldar o átrio da Capela de Nosso Senhor do Bonfim e dar uma visão mais pedagógica às etapas de tratamento de água da ETA. A vontade da população foi realizada com certa formosura no alto do morro, com bancos e plantas ornamentais, tornando o local um verdadeiro cartão-postal. Um pouco da história da Capela do Nosso Senhor do Bonfim: Antigamente, Montes Claros era bastante pequena; por isso, a Colina de Dona Germana ficava no limite da cidade. Porém, com a expansão urbana, hoje ela se encontra no centro geográfico do município. Se você for ao alto da colina, perceberá com clareza que está no próprio eixo da cidade. Nascida no Vale do Jequitinhonha, Dona Germana cumpriu uma promessa e construiu a Capela Santa Cruz dos Morrinhos — hoje Capela de Nosso Senhor do Bonfim. A primeira missa foi celebrada pelo xará do meu pai, o Padre Manoel Ribeiro. Essa é a história que aprendi quando fui catequizado por ´Verinha´, filha de ´Seu´ Duzinho (Armênio Veloso). Do catecismo a gente nunca se esquece! A igreja passou por várias restaurações: desde a primeira, feita pelo engenheiro da Estrada de Ferro Central do Brasil, Dr. Demosthenes Rockert, até outra realizada pela Copasa nos anos 1990. Há pouco tempo, uma nova reforma foi conduzida e custeada pela diocese, sob orientação do Conselho Municipal de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural de Montes Claros. A Igreja dos Morrinhos, como é conhecida, foi palco de memoráveis festas do Senhor do Bonfim, além de ponto nobre para namorar e contemplar a lua. Era também o local para onde as mães levavam os filhos com problemas respiratórios. A minha mãe, por exemplo, quando éramos ameaçados pela coqueluche, nos acordava às quatro horas da manhã para subir as íngremes ladeiras do morro e respirar o ar puro da alvorada. Era lindo ver o sol nascer, ouvir os pássaros cantarem e rezar o terço. Em volta da imagem do Cristo Redentor no largo da igreja, havia um cercado de concreto e madeira. Ali, a criançada sentava e recebia orientação para respirar bem fundo. Verdade ou não, a coqueluche passava. Em períodos de estiagem -como este que estamos enfrentando - o alto do morro era o local onde depositávamos as flores e a água carregadas durante as penitências organizadas pelos mais antigos. Chegavam a se encontrar quatro grupos de peregrinos vindos de bairros diferentes. Era uma verdadeira festa e não dava outra: chovia, e chovia muito. Acabaram com a fé, e hoje já não chove como antes. Pode ser a diminuição da crença ou as famosas mudanças climáticas acarretadas pela ação do homem. Quanto à realização do projeto executado pela Copasa, esperamos que tudo volte a ter a força de outrora. José Ponciano Neto é escritor, historiador, Diretor Financeiro da Academia Maçônica de Letras do Norte de Minas e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros.
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